Corrupção no Futebol Angolano : Mosquito recebe ameaças
Horácio Mosquito, que recentemente denunciou em conferência de imprensa a existência de supostos actos de corrupção no futebol angolano, que envolveriam funcionários da Federação Angolana de Futebol, jornalistas, jogadores, treinadores, árbitros, entre outros agentes ligados ao futebol nacional, tem sido alvo de ameaças e telefonemas anónimos...

Corrupção no Futebol Angolano : Mosquito recebe ameaças

Corrupção no Futebol Angolano · Girabola · Federação Angolana de Futebol

Horácio Mosquito, que recentemente denunciou em conferência de imprensa a existência de supostos actos de corrupção no futebol angolano, que envolveriam funcionários da Federação Angolana de Futebol, jornalistas, jogadores, treinadores, árbitros, entre outros agentes ligados ao futebol nacional, tem sido alvo de ameaças e telefonemas anónimos na sequência das referidas denúncias, segundo avança o jornal "O País", segundo declarações do ex-presidente do Clube Recreativo da Caála à publicação. Nas declarações, o dirigente desportivo esclareceu que os árbitros que o próprio assumiu ter corrompido seriam nacionais, que usam insígnias da FIFA e CAF.

Para memória futura, passamos a transcrever o texto, que se encontra disponível na íntegra na página d'O País online:

"Na ressaca das declarações que fez sobre a corrupção no futebol angolano, na semana passada, o antigo presidente do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, assegurou a O PAÍS que recebeu ameaças e telefonemas anónimos.

Deste modo, o então dirigente desportivo afirmou que o teor das mensagens eram ofensivas, sendo que chegaram a questioná-lo se estava bêbado quando fez aquelas afirmações.

Horácio Mosquito disse que uma das mensagens realçava que “estás a fugir agora que a Caála está na lama, o Estado apoia o clube, mas gastam o dinheiro para fins pessoais, vão sofrer”.

Depois do sucedido, o ex dirigente confirmou a este jornal que já apresentou a queixa à Polícia Nacional, porém os órgãos competentes já estão a tratar do assunto. Segundo o mesmo, os números das pessoas que fizeram os telefonemas e as ameaças já estão identificados, deste modo as investigações para se encontrar os supostos “meninos de recados” estão a ser feitas.

Por sua vez, Horácio Mosquito esclareceu um outro equívoco, dizendo que nunca corrompeu árbitros estrangeiros, mas sim nacionais que usam a camisola com a insígnia da CAF e da FIFA nos ombros.

O antigo dirigente rebateu as declarações avançadas pela Federação Angolana de Futebol (FAF), uma vez que o órgão que rege a modalidade no país pretende levar o caso a Confederação Africana de Futebol (CAF).

Ainda assim, Horácio Mosquito mostrou-se admirado, pelo facto de a FAF o suspender depois de ter feito a conferência de imprensa para falar da corrupção no futebol em Angola, na semana passada, no Hotel Epic Sana, em Luanda.

A FAF alegou que a suspensão é resultado das declarações que fez no jogo da décima quarta jornada do Girabola, Campeonato Nacional, frente a Académica do Lobito (Benguela), no dia 24 de Maio, às 15 e 30.

Deste modo, o antigo dirigente afirmou que não foi ouvido pelo Conselho de Disciplina do órgão que rege o desporto rei no país, mas já tinham passado duas semanas.

Os regulamentos da FAF dizem que quando os dirigentes ou treinadores se insurgem contra a equipa de arbitragem devem ser sancionados, porém Horácio Mosquito questiona por que razão é que a suspensão não saiu na semana seguinte.

Cargo a disposição
Para não prejudicar o processo de investigação sobre a corrupção no futebol angolano, o então presidente de direcção do Recreativo da Caála, Horácio Mosquito, colocou o cargo a disposição. Segundo o mesmo, o clube será gerido por uma comissão de gestão, pois posteriormente será eleito um novo presidente, quando se realizar no próximo dia 20 a Assembleia Geral extraordinária.

Na Assembleia Geral, os membros do clube vão analisar o relatório e contas que vão de 2012 a 2015 e o balanço geral desde a ascensão a primeira divisão em 2009.

Na semana passada, Horácio Mosquito disse em conferência de imprensa que endereçou uma carta a Procuradoria-Geral da República (PGR) e outros órgãos, denunciando actos de corrupção no futebol angolano.

FAF abre inquérito
Em reacção as declarações de Horácio Mosquito, o secretário-geral da FAF, Cardoso de Lima, disse a O PAÍS que o órgão que rege a modalidade criou uma comissão de inquérito para apurar a verdade. O secretário-geral foi suspenso por 30 dias devido as declarações que proferiu na cidade do Lobito, província de Benguela, onde perderam por uma bola sem resposta.

Para o secretário-geral, importa esclarecer os factos, porque está em causa a busca da verdade material, por isso o inquérito vai levar algum tempo a ser esclarecido.

Cardoso de Lima disse que vão trabalhar com muita ponderação, no sentido de fazer um serviço mais justo, de modo que seja feita justiça ao futebol e ao desporto."